domingo, 9 de junho de 2013










Carmen orienta as pequenas bailarinas: movimentos inspirados em brincadeiras. Foto: Alexandre Battibugli


 Durante as aulas da professora Carmen Orofino, na Escola Viva, em São Paulo, as crianças soltam a imaginação: derretem-se no chão como um sorvete, flutuam imitando um floco de algodão, correm como um rio e até voam feito uma borboleta. Isso porque, todos os anos, elas são convidadas a se envolver num projeto de expressão corporal baseado no uso intencional de movimentos inspirados em brincadeiras e histórias recorrentes na vida dos pequenos. Seguindo a metodologia bem planejada pela professora, eles acabam descobrindo que o corpo fala e chegam à 1ª série com os membros mais flexíveis, praticando Educação Física com mais prazer.

A apresentação para os pais no fim do ano é sempre muito esperada, mas ela não deve ser o único objetivo do trabalho. Outra coisa que se evita é focar o projeto no estudo sistematizado de uma técnica de dança específica. "Isso até pode acontecer com alunos que já passaram dos 7 anos", aconselha Carmen. "O mais importante, ao longo do calendário de atividades, é a sala virar um laboratório de experimentos e que o corpo das crianças se transforme de fato num instrumento de comunicação e expressão", resume a coordenadora pedagógica Leila Bohn. As estratégias utilizadas na escola paulistana deixam todo mundo falando pelos cotovelos e pelos pés, mãos, braços, cabeça...

Sequência de atividades
1. A CONQUISTA DA TURMA

Um bom projeto de expressão corporal começa com estratégias que atraiam todos os alunos, inclusive os meninos, que algumas vezes demoram mais para se envolver. Na Escola Viva, Carmen fala para a garotada sobre os benefícios da dança e promove uma apresentação dos alunos mais velhos. Turma formada, ela convida todos a ficar de frente para o espelho, executar movimentos livres e depois fazer um desenho que mostre a relação entre o tamanho do corpo e o da sala de aula. Alguns se imaginam bem pequenos nela, mas depois descobrem que o corpo ocupa um grande espaço.

2. APRECIAR DIFERENTES ESTILOS

Para mostrar formas diversas de dançar à garotada, a professora exibe obras de arte, fotografias e vídeos de balé clássico e contemporâneo, danças de rua como o break e o street dance, variações do hip hop, e promove pequenas discussões sobre as maneiras de o corpo se expressar. Todos são convidados a falar sobre as principais características de cada tipo de dança. A aula de 50 minutos é ministrada duas vezes por semana, no turno inverso.

3. IMAGINAÇÃO VIRA MOVIMENTO

É importante sistematizar as atividades. As aulas sempre começam com alongamento, passam para o aquecimento e terminam com a realização de passos que expressem determinada mensagem, previamente combinada entre a professora e a garotada. É nesse momento que entra em cena a imaginação. Voar, derreter, correr e balançar são imagens que se concretizam em frente ao espelho. Alguns movimentos são feitos com o auxílio de cordas e bolinhas que são jogadas por cima da cabeça dos colegas. O ritmo é dado pela música e por marcas coloridas feitas no chão. Algumas coreografias surgem da imitação de desenhos animados, como Barbie, o Quebra-Nozes, em que a personagem se imagina dançando o famoso balé.

Nenhum comentário:

Postar um comentário